‘Prefiro estar errado em nome do amor’


A repercussão do anúncio feito pelo pastor Ricardo Gondim sobre a adoção da teologia inclusiva para a Igreja Betesda despertou críticas e uma tréplica. Um dos que lamentaram o cenário foi o pastor Renato Vargens, que constatou “apostasia” nas declarações do ex-pentecostal.

No Twitter, o pastor Renato Vargens comentou as declarações recentes de Gondim sobre a Igreja Betesda se declarar uma “igreja afirmativa, inclusiva” a LGBTs, como consequência natural de seu entendimento de que “a homossexualidade não é pecado”.

“Gondim que foi um famoso pastor pentecostal (hoje não é mais), que na década de 90 ‘servia ao Senhor’, hoje apostatou da fé, negando a Cristo e o seu sacrifício vicário, defendendo a teologia inclusiva, mostrando assim que a apostasia é uma triste realidade dos nossos dias”, escreveu o pastor da Igreja Cristã da Aliança e membro da Coalizão Pelo Evangelho.

Em 2020, quando Gondim declarou que “não existe doutrina vinda do céu” e reiterou sua autoexclusão do movimento evangélico, Vargens já havia feito um contraponto: “Ao contrário dos teólogos liberais, que foram vencidos pela apostasia e um pseudo evangelho, eu e milhares de pastores no Brasil, seguimos fazendo parte do movimento evangélico, crendo na inerrância da Bíblia”.

Gondim rebate

Em sua conta no Instagram, o pastor Ricardo Gondim rebateu as críticas afirmando que quem reprova seu posicionamento não o conhece: “Estou fora das margens do movimento evangélico há algum tempo e muitos nunca tinham ouvido falar em mim. Daí o susto”.

Em tom revolucionário, o líder da Igreja Betesda admite a intenção subversiva: “Meus posicionamentos furam as bexigas (balões) do ‘espanto moral’. Certas verdades estão tão enraizadas no pensamento dos crentes, e o fundamentalismo é tão forte, que as pessoas custam acreditar que alguém ousou dizer algo o contrário”.

O relativismo, de acordo com o pastor, deve ser abraçado sempre que for conveniente, repetindo o mesmo pensamento expressado por outro colega, Ed René Kivitz, sobre a Bíblia Sagrada:

“Não há nada de errado em ser um relativista, desde que relativizemos o que é relativo. Certas coisas que são absolutas não podem ser relativizadas, mas outras carregam em si a necessidade de mudança, de atualização ou de flexibilização. Sou intransigente e absolutista em defender os direitos dos indígenas, a floresta, os rios, etc. Não abro mão em afirmar que devemos dividir a riqueza do país com todos. Relativizo, sim, textos bíblicos misóginos, escravagistas, racistas”, escreveu o pastor.

Em seguida, reiterou sua posição, alinhada com o progressismo: “Defendo que a homossexualidade não é pecado. A homoafetividade não é sinônimo de promiscuidade. Conviver com pessoas homossexuais não ‘desvia’ os adolescentes (identidade de gênero e homossexualidade não são contagiosas). A Igreja Betesda acolhe e inclui todos e todas, mas chegou a hora de dar mais um passo: nossa comunidade se declara igreja afirmativa, sem receio de tornar isso público”.

“Se algumas pessoas se escandalizam e consideram minhas postagens erradas, saibam: prefiro estar errado em nome do amor do que estar certo, propagando o horror, as armas e a violência. Soli Deo Gloria”, finalizou.





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