Cantores recusam ceder músicas pra ‘novela evangélica’ da Globo


A tentativa da TV Globo em recuperar prestígio com o público evangélico envolve a novela Vai na Fé, que terá uma protagonista crente. Porém, a rejeição à emissora é tão alta que os cantores gospel têm recusado autorizar o uso de suas músicas na trilha sonora do folhetim.

Escrita por Rosane Svartman, Vai na Fé terá a atriz Sheron Menezzes como protagonista. O roteiro da futura novela das 19h é um experimento da Globo para acomodar o segmento evangélico em sua audiência.

Nos bastidores da emissora, essa produção vai funcionar como um teste para agradar o público evangélico, considerado “o novo catolicismo” entre seus diretores, representando um movimento social definitivo no país, visto que há projeções indicando a maioria evangélica no Brasil entre 2026 e 2030.

De acordo com o portal Na Telinha, “a fé vai ser usada com frequência cada vez maior nas novelas a partir de agora, assim como católicos são vistos aos montes”, com a diferença de que “todos os profissionais envolvidos no processo são crus” quando o assunto são os evangélicos.

Música gospel

Um exemplo claro dessa falta de conhecimento entre os profissionais da Globo sobre os bastidores do meio evangélico se dá no contato com os artistas. A experiência acumulada com o mercado fonográfico secular não tem tido grande serventia no que se refere aos evangélicos, pois “tudo funciona de uma forma muito diferente”, informa o jornalista Daniel César.

“Muitos cantores conhecidos são donos das próprias produtoras, gravadoras e selos, que às vezes também têm vínculos diretos com pastores e igrejas, o que torna a negociação diferenciada. Tanto a emissora quanto as produtoras e gravadoras evangélicas não possuem qualquer experiência em negociar trilha sonora. De um lado, porque a Globo jamais teve interesse no estilo e por outro porque, mesmo séries jamais procuraram esses profissionais que não sabem direito o que fazer”, contextualiza César.

Outro aspecto considerado “imprescindível” pela emissora é a presença de músicas que sejam “icônicas” para os evangélicos, porém, nesta lista repousam artistas como Ana Paula Valadão, contra quem o Grupo Globo tem uma disputa judicial que se arrasta há anos.

Rejeição

Entre outros artistas, os problemas para a Globo são outros, entretanto. Nomes de artistas como Bruna Karla e Thalles Roberto, com carreiras extensas e de grande audiência, também são ligados a pastores que formam uma rede de críticos severos da emissora.

“Na visão dos produtores, isso pode dificultar as negociações, principalmente porque esses músicos querem conhecer a história da trama antes de aprovarem a canção como tema de determinados personagens, o que não faz parte do padrão de negociação. A emissora jamais permite interferência de um produtor ou cantor nos rumos da narrativa somente para ter a trilha que pretende e isso não será modificado no caso de Vai na Fé”, resumiu Daniel César.

A única artista que teria autorizado sem maiores complicações o uso de suas canções é Aline Barros, que possui histórico de boa relação com a Globo. Porém, a emissora nega que esses problemas estejam ocorrendo: Não procede qualquer dificuldade com relação à trilha, inclusive, porque essa etapa ainda nem começou a ser definida”, disse a assessoria de comunicação.





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