Dom Cláudio Hummes, um dos líderes da ‘teologia da libertação’, morreu


Dom Cláudio Hummes, um dos expoentes da “teologia da libertação” na Igreja Católica do Brasil, faleceu nesta segunda-feira, 04 de julho. Ele vinha sofrendo com um câncer de pulmão.

O arcebispo emérito de São Paulo e cardeal faleceu aos 87 anos em São Paulo, e seu corpo será velado na Catedral da Sé, principal templo católico na capital paulista.

Dom Cláudio Hummes era um dos mais influentes cardeais no Vaticano e também detinha o título de prefeito emérito para a Congregação do Clero, um departamento da Igreja Católica Apostólica Romana que é responsável pela educação religiosa em todo o mundo.

Em nota, o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, disse que seu antecessor faleceu “após prolongada enfermidade, que suportou com paciência e fé em Deus” e pediu preces “para que Deus o acolha e lhe dê a vida eterna, como creu e esperou”.

Nascido em 1934, Hummes foi ordenado ao sacerdócio em 1958, e dezessete anos depois, em 1975, se tornou bispo. De acordo com informações do portal O Antagonista, ele foi bispo diocesano de Santo André (SP), arcebispo de Fortaleza e arcebispo para a Sé de São Paulo em 1998.

Sua chegada ao cardinalato no Vaticano ocorreu em 2001, quando passou a compor a cúpula da Igreja de Roma, exercendo nos anos seguintes o cargo de Prefeito do Clero e participando da eleição dos dois papas vivos, Bento XVI (2005-2013) e Francisco (2013-presente).

Teologia da libertação

Engajado politicamente, dom Cláudio Hummes foi um dos líderes católicos brasileiros que mais se empenhou no uso da chamada “teologia da libertação”, uma interpretação das doutrinas católicas de viés progressista que foi amplamente usada politicamente para ajudar na fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e na difusão de ideais socialistas.

Em 2020, Lula fez uma live com o “ecoteólogo” Leonardo Boff – que desde a década de 1980 tem suas teses reprovadas pela Igreja Católica e foi excomungado – e declarou a influência de Hummes no processo de doutrinação dos fiéis católicos na visão do partido.

“Foi a relação com você, e com outros ‘companheiros da Igreja’, como padres… foi a relação que tive com dom Claudio Hummes, dom Angélico, que tive com bispos do Acre, de Rondônia, dom Evaristo Arns, dom Luciano Mendes e milhares de movimentos sociais que me fez ser quem eu sou”, disse Lula.

“Eu sou na política um pouco filho do movimento sindical, dos movimentos sociais, um pouco filho da Teologia da Libertação”, acrescentou o ex-presidente.

Anos antes, em 2014, dom Cláudio Hummes afirmou que Igreja Católica estaria considerando a possibilidade de acolher os homossexuais nas fileiras de seus seguidores:

“’Se um homossexual busca Deus, quem sou eu para julgá-lo?’ A pessoa tem de ser respeitada. Se ela tem uma orientação homossexual, o que isso significa na vida dela? Ela, na verdade, tem de viver dignamente a sua vida”, disse, parafraseando o papa Francisco.

Dom Cláudio Hummes ao lado de Lula em comício de sindicatos; Foto: reprodução/Claudiomiro Teodoro/Folha Imagem





Gospel Mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.