Ovo e coelhos são símbolos de profanação e não da Páscoa, diz hebraísta


Tradicionalmente, cristãos no mundo inteiro comemoram a chamada “Semana Santa“, ou “Sexta-Feira Santa”, período esse que corresponde à Páscoa, uma celebração que possui algumas diferenças no judaísmo e cristianismo, mas cujas raízes históricas e o sentido são os mesmos.

Contudo, para o hebraísta cristão Getúlio Cidade, assim como ovos de chocolate e coelhinhos não possuem qualquer relação com a Páscoa bíblica, até mesmo a terminologia “Sexta-Feira Santa” não deveria ser utilizada pelos cristãos.

Isso porque, a Páscoa corresponde ao Nisan, mês do nascimento de Isaque, filho de Abraão, que protagonizou a cena profética do sacrifício que viria acontecer com Cristo, na Cruz do Calvário, apenas 1.300 anos depois.

“O livro de Êxodo conta toda a história de como foi estabelecida a Páscoa e que ela deveria estar em estatuto perpétuo. No dia 14 de Nisan aconteceu a preparação e no dia 15 aconteceu a saída do Egito. O povo levou 7 dias para chegar até o Mar Vermelho e é por isso que a festa tem essa duração”, explicou Getúlio, se referindo ao costume judaico.

“Para nós, cristãos, essa festa tem um significado muito profundo. A simbologia é ampla e perfeita — Jesus é o cordeiro ferido e morto para salvar a humanidade e o Egito é o mundo em que vivemos”, ressaltou o hebraísta.

Segundo Getúlio, a comemoração da Páscoa sempre na Sexta-Feira Santa é um erro, porque a data 14 de Nisan é fixa, motivo pelo qual todo ano ela cai em um dia diferente da semana. Se os cristãos quiserem ser fiéis às suas raízes judaicas, portanto, terão que respeitar essa variação no calendário.

Segundo o hebraísta, a fixação da Páscoa na Sexta-Feira Santa, bem como a associação dela aos ovos de chocolate e aos coelhos, é fruto do sincretismo religioso com a cultura babilônica, de origem pagã, que de tão antiga se transformou num costume adotado pelos cristãos ao longo dos séculos.

“A profanação vem da Babilônia, onde havia a deusa da fertilidade, também conhecida como Ishtar, rainha dos céus ou Astarote, entre outros nomes, mas a entidade era a mesma”, disse Getúlio, lembrando que, como o mito naquela é época era de que a suposta deusa havia descido do céu em um grande ovo, “era costume durante as celebrações babilônicas, a distribuição dos ovos de Ishtar.”

“Além disso, havia uma representação através do coelho que simbolizava a fertilidade”, frisou o especialista. “A profanação foi praticamente imediata e, durante as festas da primavera, passou a ser comemorada a festa de Ishtar e a festa da Páscoa”, disse ele, resultando daí o sincretismo religioso mantido até hoje.

Por fim, Getúlio reforçou a defesa de que os cristãos deveriam respeitar o calendário da Páscoa judaica atribuído ao dia 14 de Nisan, visto que o próprio Deus fez questão de indicar a importância disso ao escolher o dia da crucificação e morte de Jesus.

“O dia 14 de Nisan é tão importante para Deus, que Jesus foi crucificado nesse mesmo dia e no mesmo horário dos sacrifícios no Templo, 1.300 anos depois”, disse ele, que conclui: “A Páscoa é, talvez, a principal festa bíblica e a nossa melhor oportunidade de compreender nossas raízes judaicas, que estão em Israel.”

Para entender melhor a explicação do hebraísta Getúlio Cidade, assista a entrevista completa que ele concedeu ao portal Guiame, abaixo:

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