Traficantes executam evangelista manauara que se opunha ao crime


Uma idosa evangelista que pregava o Evangelho a traficantes de sua vizinhança foi executada com um tiro na cabeça quando chegava em casa. A delegada responsável está investigando o caso como um crime de intolerância religiosa.

Idalina Ferreira Marques, 57 anos, aposentada, foi executada na noite da última terça-feira, 21 de dezembro, na zona sul de Manaus (AM). Os policiais que atenderam a ocorrência afirmaram que ela era uma conhecida evangelista da região, que anunciava o Evangelho a traficantes, numa tentativa de tira-los da vida de crimes.

“Fico triste com um fato desse por ver a intolerância religiosa e a intolerância à mulher, porque, na verdade, eles cometem esse crime sabendo que uma mulher, geralmente, é indefesa e não tem a força física deles, ainda mais uma pregadora da palavra de Deus querendo fazer com que as pessoas mudem seus comportamentos e seus caminhos”, disse a delegada Débora Mafra, titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM).

A evangelista vivia no mesmo bairro há 50 anos e os vizinhos, que preferiram manter o anonimato por razões de segurança, disseram que Idalina “costumava frequentar uma igreja evangélica e, pelas ruas, pregava a palavra de Deus”.

Oponente do tráfico de drogas, ela lutava para impedir que o beco onde vivia fosse usado para a venda e o consumo de entorpecentes. Ela vivia com a mãe de 95 anos, de quem cuidava sozinha.

“Ela sempre estava em comunhão com a igreja. Aqui era muito perigoso para ela. A única certeza que eu tenho é que ela já está com Deus e o Senhor já a recebeu”, afirmou uma vizinha.

“Ela alugava quitinetes e era reconhecida pelas ações sociais que fazia, mas infelizmente aqui só tem ‘gente da pesada’. A morte não diz a hora que vem, é uma perda muito grande”, declarou a irmã de Idalina, Valdemarina Souza, de 71 anos.

O crime

A evangelista foi abordada por dois homens quando chegava em casa, e executada com um único tiro. O Instituto Médico Legal (IML) divulgou relatório da autópsia dizendo que o ferimento causou uma hemorragia cerebral fatal.

A Delegacia Especializada de Homicídios e Sequestros (DEHS) foi envolvida na investigação porque, segundo o subtenente L. Pereira, da 2ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM), ”ela batia de frente com o tráfico de drogas” e, provavelmente, o crime foi cometido a mando dos traficantes.

Ela fechava a passagem [do beco] e, por ser evangélica, tentava converter os traficantes e isso causou uma certa irritação”, declarou o subtenente, segundo informações da revista Cenarium.

A investigação sobre o crime ainda não identificou os suspeitos, mas haverá um empenho da Polícia, segundo a delegada Débora Mafra: “Fatos como esses não podem ficar impunes. Que essas pessoas possam ser descobertas, suas identidades reveladas, que haja um inquérito policial onde o juiz possa ter a melhor decisão”.





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